Por mais que tente esquecer, meu primeiro diploma universitário trouxe-me alguns momentos de tristeza.
Lembro quando apresentei-o pela primeira vez, num brado heróico e retumbante, a um supervisor de ensino. Foi um dos meus primeiros contatos com um representante da Educação paulista, ramo que queria começar a me dedicar profissionalmente. Não lembro o nome dele, mas se não me falha a memória, era um sujeito redondo e careca que, com um sorriso cor de rosa, comentou:
-"Ciências Sociais? Ih, menina, começou errado... não tinha outro curso para fazer?"
Nada que não tivesse acostumada a lidar nos trabalhos anteriores, junto à ignorantes abrutalhados e semi-analfabetos.
Falando em semi-analfabetos, também já tinha percebido que na Educação, existe um problema maior que esse. São os analfabetos políticos.
Houve uma segunda vez e nessa, estava numa escola considerada "padrão de referência". Entreguei meu diploma para ser avaliado por sua diretora, junto a outros de pessoas de todas as áreas. Entre um diploma e outro, alguns comentários realizados à cabeceira de uma mesa comprida e espelhada. Lembro como se fosse hoje do momento em que meu diploma escorregou de um lado ao outro da mesa, lançado pela diretora que comentou, durante seu trajeto:
- "Esse curso não serve para dar aula!".
Passados alguns anos, juntei mais 2 diplomas a esse, para entregar com um projeto numa escola pública que recebeu a melhor avaliação do ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio - há 2 anos atrás. Achei que por ser o mais antigo, o estigma de Socióloga não mais me depreciaria. De cara, o diploma é comentado... dessa vez, com reconhecimento, elogios e enaltações por parte de duas profissionais da Educação, ambas da área de Ciências Sociais. Não sei ainda qual o resultado da avaliação que fizeram de meus estudos e projetos nessa segunda, mas finalmente, posso lançar uma boa lembrança ao meu diploma de primeira.

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ResponderExcluirEngraçado que raramente nesses casos se considera a pessoa. Marta, eu acredito que a área de formação acadêmica é menos importante do que a formação do ser. Eu mesmo fiz biologia pra escrever melhor. Hoje trabalho com educação, mas grande parte do que eu faço, nada tem a ver com biologia e sim com o que eu sou.
Com você provavelmente ocorre o mesmo, vc é socióloga e tem outras formações, mas o que faz o seu trabalho ter valor não é o seu diploma e sim o que vc consegue fazer com tudo o que aprendeu, inclusive ao conseguir esses diplomas e não só neles.